Quando o céu gira à volta da minha cabeça,
desaba uma trovoada estremecendo os animais
que acordam dentro de mim. Tudo me surpreende
como azeitona no lagar, tão longe da árvore,
trocando a claridade por uma sombra fechada e húmida,
corpo exigindo um motim, uma festa no sangue,
quando tudo está a um palmo da respiração
e a dois da realidade. As noites acabam sempre
no futuro e é aí que procuro a clara raiz do dia,
esse diamante breve que resgata o próprio chão,
para de novo semear a paixão, com inteligência
e luz, como faz, em cada ano, a primavera.