Friday, 18 September 2026

Canção das prostitutas de Lisboa


Eu vi as raparigas do meu povo
que o meu povo fez tão magoadas.
Com os olhos inchados de ternura
doces olhos, doces como amêndoas.
Eu vi as raparigas magoadas
ilegítimas filhas do meu povo.
Nas esquinas eu vi a madrugada
com um cravo de amargura nos cabelos.
Eu vi as raparigas do meu povo
por entre o meu povo magoado.
Aqui. Em Lisboa. Sobre a mágoa.
Aonde o amor acaba e o mal começa.
Joaquim Pessoa