A ti ninguém te põe a terra em cima
a não ser a terra que dá trigo
na seara da revolta e do talento.
a não ser a força de um amigo
que diz, tudo não por fora mas por dentro.
A ti ninguém te põe a voz em cima
porque nunca se calou quem tem razão.
Operários camponeses são teu leito
e na rua saudade que eu já tenho
quando acordas escreves Maio em solidão
e adormeces com Abril dentro do peito.
Só num verso escreve um grito, bebe um gin
e é com raiva e ternura que tu vestes
o suor e a razão dos explorados
José Carlos ou Poeta ou só Ary,
dos Santos e dos cantos que escreveste
e no campo na cidade são cantados.
As cepas que plantaste nesta vinha
darão uvas com o Sol da madrugada
Inda é cedo p'ra fazer essa vindima
até logo que o futuro se adivinha
até sempre meu amigo e camarada,
aqui ninguém te põe a pata em cima.
POETA TRIGO POETA AMIGO
POETA AMOR EM SOFRIMENTO
SE EU NÃO CANTASSE POETA VIVO
JÁ ESTAVA MORTO HÁ MUITO TEMPO.
POETA FLOR POETA DOR
CORAÇÃO GRANDE
ALMA SERENA
POETA LOUCO DESCANSA UM POUCO
ATÉ AO PRÓXIMO POEMA.
Á esquina do tejo com o mar.
D.l.14974/87 Carlos Paulo