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Thursday, 1 October 2009

PRAIA GIRÓN

Praia Girón:
no dia seguinte
ao sangue vertido pelo teu punho potente,
já derrotada a invasão,
já esmagada, com furor crescente,
a nefanda traição,
quisemos ver a tua fronte,
a tua estrela enfurecida na torrente
da cólera! E ver teu coração,
Praia Girón!

Foi um trágico baptismo!
E tu não foste praia, mas abismo!
Um abismo colérico de fuzis agrários!
O estrondo feroz de um cataclismo,
entre lôbregos cantos funerários,
não só para o crime dos cobardes mercenários
mas para a força vil do imperialismo!

Ali ficou destruída
e transformada em lodo e em latrina!
Pela primeira vez vencida
por um pequeno povo da América Latina!

Vimos o rosto das tuas pedras calcinadas;
em Soplillar e em Pálpite barracas destruídas,
como se os traidores, as hediondas manadas
de gangsters, as manadas
de violentos fulheiros, usassem as jornadas
do crime para vê-las destruídas!

E sim! Contra eles era
o fogo principal da investida!
Contra os camponeses, a primeira
descarga. E a segunda para a nobre vida,
para a vida da classe obreira!

Porque são os humildes, com os puros e abertos
cálices acesos no seu limpo decoro,
os que com mais pujança e músculos despertos
defendem o tesouro da Pátria! Não o ouro
que do burguês defende cada poro
contra a Pátria, não! Para o operário
e para o camponês
nunca será o dinheiro
o primeiro,
mas a Pátria e o seu feliz destino!

Mas vimos também, Praia Girón tremenda,
na Playa Larga e em San Blas o mesmo
que em ti vimos: a grande, a estupenda
derrota mercenária e do imperialismo!

O teu rosto era a esplêndida ufania
dos rebeldes heróicos e da polícia
de Havana valente e dos valentes milicianos!
E de rastos sobre a vil hipocrisia,
os putrefactos gusanos!

De nada lhes serviram as armas infernais,
barcos, aviões, tanques, metralhadoras e fuzis,
que lhes deram as forças imperiais
de Kennedy! Tão vis, tão covardes e vis
gusanos não puderam segurá-las nas mãos
quando os atacámos. A maior parte delas
veio para nós a golpes de relâmpagos.
Dos relâmpagos dos milicianos!

Mas nas tuas mãos as vimos, Praia Girón! As vimos,
enquanto os escuros gusanos se arrastavam!
E com grande orgulho de Pátria e de bandeira
essa clara manhã de ti nos despedimos.

Manuel Navarro Luna

Wednesday, 30 September 2009

O CANTO DA ESTRELA

Sobre o sangue, em charcos, no sendeiro,
já semeado de crimes e de espanto,
a estrela redentora com seu canto
brilhou num céu claro de Janeiro.
Desperta, limpa, pura, e pela força
de Fidel e do seu povo suspensa,
já nada haverá que o seu caminho torça
nem que brilhar, em toda a luz, impeça.

Em toda a luz de honra e de decoro
e jamais rebaixada e de joelhos.
A besta negra que a noventa milhas,
do lodo putrefacto do seu oiro,
a nossa Pátria, por pequena, ofende
e por livre maltrata e insulta,
não mediu o tamanho da estrela
que em seu sangrento triângulo se acende.

A guerra imperialista que a espia
desde a podridão da sua escória,
verá que sua medida não está feita
senão à medida da vitória.
O gigante Golias foi tombado
por David, cuja funda enfurecida
tem agora o nosso povo armado
e da Praia Girón sabe a medida.

Do heróico triângulo em que cintila
a sua luz, a estrela como nunca brilha,
e ante o imperialismo não se humilha,
não se humilha jamais e nem se curva.

Já da liberdade das montanhas
é mais firme a luz que lança.
Se o ianqui nos invade, saberá
como é a chama desta estrela!

Nenhuma força haverá que a derrube
nem que lhe imponha jugos ou cadeias,
porque todo o seu fogo o recebe
da torrente viril das nossas veias.
E embora partida e feita em estilhas
essa estrela, a luz que ela derrama
sempre erguerá a redentora chama
sobre a morte e sobre as cinzas!

Manuel Navarro Luna