Praia Girón:
no dia seguinte
ao sangue vertido pelo teu punho potente,
já derrotada a invasão,
já esmagada, com furor crescente,
a nefanda traição,
quisemos ver a tua fronte,
a tua estrela enfurecida na torrente
da cólera! E ver teu coração,
Praia Girón!
Foi um trágico baptismo!
E tu não foste praia, mas abismo!
Um abismo colérico de fuzis agrários!
O estrondo feroz de um cataclismo,
entre lôbregos cantos funerários,
não só para o crime dos cobardes mercenários
mas para a força vil do imperialismo!
Ali ficou destruída
e transformada em lodo e em latrina!
Pela primeira vez vencida
por um pequeno povo da América Latina!
Vimos o rosto das tuas pedras calcinadas;
em Soplillar e em Pálpite barracas destruídas,
como se os traidores, as hediondas manadas
de gangsters, as manadas
de violentos fulheiros, usassem as jornadas
do crime para vê-las destruídas!
E sim! Contra eles era
o fogo principal da investida!
Contra os camponeses, a primeira
descarga. E a segunda para a nobre vida,
para a vida da classe obreira!
Porque são os humildes, com os puros e abertos
cálices acesos no seu limpo decoro,
os que com mais pujança e músculos despertos
defendem o tesouro da Pátria! Não o ouro
que do burguês defende cada poro
contra a Pátria, não! Para o operário
e para o camponês
nunca será o dinheiro
o primeiro,
mas a Pátria e o seu feliz destino!
Mas vimos também, Praia Girón tremenda,
na Playa Larga e em San Blas o mesmo
que em ti vimos: a grande, a estupenda
derrota mercenária e do imperialismo!
O teu rosto era a esplêndida ufania
dos rebeldes heróicos e da polícia
de Havana valente e dos valentes milicianos!
E de rastos sobre a vil hipocrisia,
os putrefactos gusanos!
De nada lhes serviram as armas infernais,
barcos, aviões, tanques, metralhadoras e fuzis,
que lhes deram as forças imperiais
de Kennedy! Tão vis, tão covardes e vis
gusanos não puderam segurá-las nas mãos
quando os atacámos. A maior parte delas
veio para nós a golpes de relâmpagos.
Dos relâmpagos dos milicianos!
Mas nas tuas mãos as vimos, Praia Girón! As vimos,
enquanto os escuros gusanos se arrastavam!
E com grande orgulho de Pátria e de bandeira
essa clara manhã de ti nos despedimos.
Manuel Navarro Luna
Showing posts with label Manuel Navarro Luna. Show all posts
Showing posts with label Manuel Navarro Luna. Show all posts
Thursday, 1 October 2009
Wednesday, 30 September 2009
O CANTO DA ESTRELA
Sobre o sangue, em charcos, no sendeiro,
já semeado de crimes e de espanto,
a estrela redentora com seu canto
brilhou num céu claro de Janeiro.
Desperta, limpa, pura, e pela força
de Fidel e do seu povo suspensa,
já nada haverá que o seu caminho torça
nem que brilhar, em toda a luz, impeça.
Em toda a luz de honra e de decoro
e jamais rebaixada e de joelhos.
A besta negra que a noventa milhas,
do lodo putrefacto do seu oiro,
a nossa Pátria, por pequena, ofende
e por livre maltrata e insulta,
não mediu o tamanho da estrela
que em seu sangrento triângulo se acende.
A guerra imperialista que a espia
desde a podridão da sua escória,
verá que sua medida não está feita
senão à medida da vitória.
O gigante Golias foi tombado
por David, cuja funda enfurecida
tem agora o nosso povo armado
e da Praia Girón sabe a medida.
Do heróico triângulo em que cintila
a sua luz, a estrela como nunca brilha,
e ante o imperialismo não se humilha,
não se humilha jamais e nem se curva.
Já da liberdade das montanhas
é mais firme a luz que lança.
Se o ianqui nos invade, saberá
como é a chama desta estrela!
Nenhuma força haverá que a derrube
nem que lhe imponha jugos ou cadeias,
porque todo o seu fogo o recebe
da torrente viril das nossas veias.
E embora partida e feita em estilhas
essa estrela, a luz que ela derrama
sempre erguerá a redentora chama
sobre a morte e sobre as cinzas!
Manuel Navarro Luna
já semeado de crimes e de espanto,
a estrela redentora com seu canto
brilhou num céu claro de Janeiro.
Desperta, limpa, pura, e pela força
de Fidel e do seu povo suspensa,
já nada haverá que o seu caminho torça
nem que brilhar, em toda a luz, impeça.
Em toda a luz de honra e de decoro
e jamais rebaixada e de joelhos.
A besta negra que a noventa milhas,
do lodo putrefacto do seu oiro,
a nossa Pátria, por pequena, ofende
e por livre maltrata e insulta,
não mediu o tamanho da estrela
que em seu sangrento triângulo se acende.
A guerra imperialista que a espia
desde a podridão da sua escória,
verá que sua medida não está feita
senão à medida da vitória.
O gigante Golias foi tombado
por David, cuja funda enfurecida
tem agora o nosso povo armado
e da Praia Girón sabe a medida.
Do heróico triângulo em que cintila
a sua luz, a estrela como nunca brilha,
e ante o imperialismo não se humilha,
não se humilha jamais e nem se curva.
Já da liberdade das montanhas
é mais firme a luz que lança.
Se o ianqui nos invade, saberá
como é a chama desta estrela!
Nenhuma força haverá que a derrube
nem que lhe imponha jugos ou cadeias,
porque todo o seu fogo o recebe
da torrente viril das nossas veias.
E embora partida e feita em estilhas
essa estrela, a luz que ela derrama
sempre erguerá a redentora chama
sobre a morte e sobre as cinzas!
Manuel Navarro Luna
Subscribe to:
Posts (Atom)