aparelhar a alma
e zarpar
um sopro branco
a desaparecer no breu
de uma bruma marítima
em busca dos lugares
em que perdido
um fósforo ainda arda.
Miguel Tiago
já basta que nos apartemos
- amantes na estação, um na plataforma, outro subindo a carruagem
- lentamente - como se desentrelaçam as mãos até à ponta dos dedos
- do calor em morte
se deixares secar o rio que te corre por dentro
é mais fácil que todos o atravessem
mas depois quem mergulharia ou
juntava caudal à torrente?
Miguel Tiago