Saturday, 18 July 2020
Prometeu
Abafai meus gritos com mordaças,
maior será a minha ânsia de gritá-los!
Amarrai meus pulsos com grilhões,
maior será minha ânsia de quebrá-los!
Rasgai a minha carne!
Triturai os meus ossos!
O meu sangue será a minha bandeira
e meus ossos o cimento duma outra humanidade.
Que aqui ninguém se entrega
- isto é vencer ou morrer -
é na vida que se perde
que há mais ânsia de viver!
Joaquim Namorado
Wednesday, 15 July 2020
TRÊS POEMAS DE HEROÍSMO
1
Eu sou daqueles que gritam
«morrer, sim, mas devagar!»
e fico
até ao fim da batalha...
Venham golpes sobre golpes!
Que eu morda o pó das derrotas...
Ficará sempre de pé
minha luta alevantada.
2
Crucifiquem-me nas cruzes dos calvários,
deitem-me chumbo nas veias,
façam-me a pele em tiras,
tirem-me os olhos com navalhas
e dêem-me a morte lenta
do maior dos suplícios...
A Morte não encontrará em mim
nem desespero nem mágoa:
HEROÍSMO É VIVER...
3
Eu mesmo sou o campo de batalha!
Frente a frente os dois irmãos inimigos:
um, o que me prende ao que ontem fui;
outro, o que será amanhã.
Minha alma está cavada de trincheiras!
Sempre o mesmo combate,
desde o início...
Joaquim Namorado
Eu sou daqueles que gritam
«morrer, sim, mas devagar!»
e fico
até ao fim da batalha...
Venham golpes sobre golpes!
Que eu morda o pó das derrotas...
Ficará sempre de pé
minha luta alevantada.
2
Crucifiquem-me nas cruzes dos calvários,
deitem-me chumbo nas veias,
façam-me a pele em tiras,
tirem-me os olhos com navalhas
e dêem-me a morte lenta
do maior dos suplícios...
A Morte não encontrará em mim
nem desespero nem mágoa:
HEROÍSMO É VIVER...
3
Eu mesmo sou o campo de batalha!
Frente a frente os dois irmãos inimigos:
um, o que me prende ao que ontem fui;
outro, o que será amanhã.
Minha alma está cavada de trincheiras!
Sempre o mesmo combate,
desde o início...
Joaquim Namorado
Sunday, 12 July 2020
Cantar de Amigo
Eu e tu: milhões!...
Entre nós - perto ou longe -
entre nós, rios e mares,
montanhas e cordilheiras...
Eu e tu, perdidos
nesta distância sem fim do desconhecido;
eu e tu, unidos
para além das cordilheiras,
por sobre mares de diferença,
na comunhão de nossos destinos confundidos
- a minha e a tua vida
correndo para a confluência
num mesmo Norte.
Eu e tu, amassados
nesta angústia que é de nós,
minha e tua,
e mais do que de nós...
Eu e tu,
carne do mesmo corpo,
amor do mesmo amor,
sangue do mesmo sacrifício!...
Eu e tu,
elos da mesma cadeia,
grãos da mesma seara,
pedras da mesma muralha!...
Eu e tu, que não sei quem és,
que não sabes quem sou:
Eu e tu, Amigo! Milhões!
Joaquim Namorado
Entre nós - perto ou longe -
entre nós, rios e mares,
montanhas e cordilheiras...
Eu e tu, perdidos
nesta distância sem fim do desconhecido;
eu e tu, unidos
para além das cordilheiras,
por sobre mares de diferença,
na comunhão de nossos destinos confundidos
- a minha e a tua vida
correndo para a confluência
num mesmo Norte.
Eu e tu, amassados
nesta angústia que é de nós,
minha e tua,
e mais do que de nós...
Eu e tu,
carne do mesmo corpo,
amor do mesmo amor,
sangue do mesmo sacrifício!...
Eu e tu,
elos da mesma cadeia,
grãos da mesma seara,
pedras da mesma muralha!...
Eu e tu, que não sei quem és,
que não sabes quem sou:
Eu e tu, Amigo! Milhões!
Joaquim Namorado
Thursday, 9 July 2020
Exortação
Ó mocidade, vai para os estádios,
vai para as oficinas cantando!
Faz da tua vida luta, amor e alegria.
Que o sol doire a tua vida heróica
e se molde no teu corpo forte!
Ó mocidade, vai para os estádios,
teu corpo ágil vibrando
no esforço viril de se ultrapassar...
Rosas, na tua fronte nunca murchas.
Clara manhã abrindo a tua alma.
Ó mocidade, vai cantando!
Ó mocidade das oficinas,
aço e sangue soldados no teu corpo,
carne e cimento de novas arquitecturas,
ergue cantando o teu poema heróico!
Armas do teu combate:
alavancas, martelos e bigornas,
serras, puas, escopros!
Ó mocidade, parte cantando!
Vai cantando bem alto
o «querer» do teu destino!
Parte alegremente para a conquista
do mundo...
Serena, firma, confiante.
Ombro com ombro, peito com peito,
braço com braço,
parte, ó mocidade, cantando!
À conquista do teu destino
parte cantando!
Joaquim Namorado
vai para as oficinas cantando!
Faz da tua vida luta, amor e alegria.
Que o sol doire a tua vida heróica
e se molde no teu corpo forte!
Ó mocidade, vai para os estádios,
teu corpo ágil vibrando
no esforço viril de se ultrapassar...
Rosas, na tua fronte nunca murchas.
Clara manhã abrindo a tua alma.
Ó mocidade, vai cantando!
Ó mocidade das oficinas,
aço e sangue soldados no teu corpo,
carne e cimento de novas arquitecturas,
ergue cantando o teu poema heróico!
Armas do teu combate:
alavancas, martelos e bigornas,
serras, puas, escopros!
Ó mocidade, parte cantando!
Vai cantando bem alto
o «querer» do teu destino!
Parte alegremente para a conquista
do mundo...
Serena, firma, confiante.
Ombro com ombro, peito com peito,
braço com braço,
parte, ó mocidade, cantando!
À conquista do teu destino
parte cantando!
Joaquim Namorado
Monday, 6 July 2020
Pilotagem
Só os corações fortes se fizeram para o voo.
Nenhuma audácia é proibida ao homem...
Um medo ancestral dorme fundo,
vem-me na carne sempre provisória:
bem nossa, porém, só esta ânsia maior
de domínio.
Homem quer dizer: conquistador.
Joaquim Namorado
Friday, 3 July 2020
POEMA DA MANHÃ CLARA
O grito das sirenes
rasgou o silêncio da manhã clara...
E foi como se a vida acordasse
na cidade adormecida:
as ruas encheram-se de movimento,
o céu encheu-se de asas
e o rio de velas!
As ruas encheram-se de movimento,
do vai-vem dos que vão para as oficinas,
dos pregões cantados nas esquinas,
do estrépito dos motores...
E nas fábricas,
as máquinas,
monstros de potências adormecidas,
foram arrancadas à sua inércia,
que se desmancha num espreguiçamento,
e se desfaz, depois,
no ritmo acelerado dos volantes.
O céu encheu-se de asas
e o rio de velas...
Nos portos,
atracam os navios vindos de longe,
de todos os horizontes,
entre os guinchos das roldanas
e a vozearia das tripulações à manobra;
e os guindastes giram lentamente
- gigantes de braços de aço
levam e trazem
com ar despreocupado,
os fardos mais pesados
aos porões;
os vapores de hélices potentes
deixam lentamente os cais,
e, manchando o céu
com o fumo pesado das chaminés,
perdem-se no nevoeiro da barra...
O grito das sirenes
rasgou o silêncio da manhã clara...
um ritmo novo
acordou a cidade adormecida.
Ritmo que se grita
nas alavancas que se movem,
nos êmbolos que chocam,
nos martelos que retinem;
ritmo mecânico, compassado,
das hélices dos motores;
ritmo vertiginoso, alucinante,
dominante, dos volantes;
ritmo novo dos corações,
na canção ardente do trabalho!
Ritmo de máquinas,
de alavancas e de braços.
- Ritmo novo da manhã clara!
Joaquim Namorado
rasgou o silêncio da manhã clara...
E foi como se a vida acordasse
na cidade adormecida:
as ruas encheram-se de movimento,
o céu encheu-se de asas
e o rio de velas!
As ruas encheram-se de movimento,
do vai-vem dos que vão para as oficinas,
dos pregões cantados nas esquinas,
do estrépito dos motores...
E nas fábricas,
as máquinas,
monstros de potências adormecidas,
foram arrancadas à sua inércia,
que se desmancha num espreguiçamento,
e se desfaz, depois,
no ritmo acelerado dos volantes.
O céu encheu-se de asas
e o rio de velas...
Nos portos,
atracam os navios vindos de longe,
de todos os horizontes,
entre os guinchos das roldanas
e a vozearia das tripulações à manobra;
e os guindastes giram lentamente
- gigantes de braços de aço
levam e trazem
com ar despreocupado,
os fardos mais pesados
aos porões;
os vapores de hélices potentes
deixam lentamente os cais,
e, manchando o céu
com o fumo pesado das chaminés,
perdem-se no nevoeiro da barra...
O grito das sirenes
rasgou o silêncio da manhã clara...
um ritmo novo
acordou a cidade adormecida.
Ritmo que se grita
nas alavancas que se movem,
nos êmbolos que chocam,
nos martelos que retinem;
ritmo mecânico, compassado,
das hélices dos motores;
ritmo vertiginoso, alucinante,
dominante, dos volantes;
ritmo novo dos corações,
na canção ardente do trabalho!
Ritmo de máquinas,
de alavancas e de braços.
- Ritmo novo da manhã clara!
Joaquim Namorado
Wednesday, 1 July 2020
CONDUTORES DE MÁQUINAS
Contacto:
os tempos do motor
transpiram a sua segurança de máquinas
- solda-se o braço no volante preso
e bate o coração no mesmo passo.
Olho estes homens condutores de máquinas
na simples ganga azul
do seu trabalho,
e é uma raça nova que aos meus olhos nasce
- nervos e eixos, êmbolos e veias,
são o mesmo aço.
Joaquim Namorado
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