e afinal é isto e só isto será? que seja, quero dias todos assim, assim boca, assim duas mãos seguras por beijos e medo da luz um corpo amanhecido de muito mudas as palavras e tão dentro dos teus olhos vemos tudo o que não era e somos o que não fomos porque adormecemos inteiros por dentro de dentro de nós ao fundarmos um nosso verbo
A chuva, outra vez a chuva sobre as oliveiras. Não sei porque voltou esta tarde se minha mãe já se foi embora já não vem à varanda para a ver cair já não levanta os olhos da costura: ouves? Oiço, mãe, é outra vez a chuva, a chuva sobre o teu rosto.
Não tenho para ti quotidiano mais que a polpa seca ou vento grosso, ter existido e existir ainda, querer a mais a mola que tu sejas, saber que te conheço e vai chegar a mão rasa de lona para amar.
Não tenho braço livre mais que olhar para ele, e o que faz que tu não queiras. Tenho um tremido leito em vala aberta, olhos maduros, cartas e certezas.
Neste comboio longo, surdo e quente, vou lá ao fundo, marco o Ocupado. Penso em ti, meu amor, em qualquer lado. Batem-me à porta e digo que está gente.