Tuesday, 6 November 2012

- sem título -


cerro as mãos e agarro o vazio,
volto-as abertas e olho o rodopio
de nada que as abandona.

escuto-me em vão,
nem o vento.

sopra apenas um ar parado,
no lugar que me esgota o peito.

em vão,
nem o vento.

acordo de um delírio
e percebo que afinal nunca dormi, estive sempre acordado.

em vão,

nem

o

vento.


Miguel Tiago

Saturday, 3 November 2012

Thursday, 1 November 2012

visão do vazio


o vazio é um fascínio,
uma visão inimaginável
de ausência
de cor de tempo
ou movimento.

o vazio enche quem não tem espaço por dentro.

Miguel Tiago

Tuesday, 30 October 2012

- sem título -


estamos a meio caminho,
só não sabemos o destino.

Miguel Tiago

Saturday, 27 October 2012

irreversível


é a irreversibilidade
que nos constrói,
a permanência de tudo,
dos actos mais que das coisas.

é a persistência, mesmo inconstante,
das marcas na alma, nos olhos e na pele,
que faz da vida vida
e da morte morte.

Miguel Tiago

Wednesday, 24 October 2012

tempo vento


tudo passa, nada fica.
tudo fica, nada passa.

Miguel Tiago

Sunday, 21 October 2012

colectivo


pudera eu indicar-te o caminho
por onde desbravares a vereda,
estreita é certamente,
mas cavada já por muitos antes de mim.

pudera eu dizer-te que trazes cerrados os olhos,
mas mente quem assim te engana,

quem assim tos veda,
esconde de ti a vida e a estrada que tens em frente.

pudera eu dizer-te vem comigo,
que é larga a via,
mas não teria eu força suficiente
para te arrancar do lodo onde te prendem,
para romper a mordaça que te atam,
e libertar as tuas mãos das correntes que tas matam.

mas podemos nós dizer-te
vem connosco, ergue o rosto.
poderás ser um de nós,
e o lodo não será prisão,
nem as mordaças limitação.
e serão nossas, nossas mãos,
a ferramenta da vida em construção.

Miguel Tiago